terça-feira, maio 20, 2025

o peso das palavras


as minhas palavras têm volume e peso, quando as digo têm um selo que só eu conheço, porque são minhas... ditas e sentidas por mim
convictamente silencio-as, sem dar qualquer hipótese de ser ouvida
porque às vezes são doces, mas também amargas
guardo as minhas palavras
carrego o peso e sinto-as
às vezes leves
às vezes doces
às vezes pesadas
às vezes amargas
assim sou eu...
assim são as minhas palavras
guardadas
seladas...
elas dançam na minha cabeça, e eu afirmo que são apenas produto da minha imaginação
e o silêncio impera
fica a ausência de peso e volume
acho-me leve
engano-me
o peso e volume dominam a minha cabeça
mas ninguém vê
e ninguém ouve
são minhas as palavras



quarta-feira, abril 09, 2025

#politicamenteincorreta

 Vivemos numa época em que tudo é válido ser, fazer, mostrar, o mesmo não se aplica para a expressão de uma opinião contrária ou não normativa, sob pena de sermos rotulados, insultados ou coisas piores.

Dou por mim a pensar coisas e no mesmo segundo a auto criticar-me por tais pensamentos, na maior parte das vezes são merdinhas, mas a verdade é que me sinto silenciada e isso irrita-me.
Pois bem, decreto então para mim um dia, semanal, quinzenal ou mensal, (ainda não decidi), para exercer a minha liberdade de expressão e ser politicamente incorreta aos olhos de muitos, e óbvia aos olhos de outros.
Adoro começar coisas às quintas-feiras não sei porquê, assim sendo começa hoje a libertação de tais pensamentos, que em nada acrescentam ao mundo, mas caramba sabe bem expressá-los!
Dress code
São constantes os eventos com dress code, podendo ser sobre uma determinada época, uma cor, ou simplesmente o óbvio como por exemplo uma gala ser Black Tie e vestido longo.
Eu cá por mim decretava que o dress code fosse "enxerga-te ou levas uma belinha".
Se o mundo mudava? Não.
Se eu ficava feliz? Ficava. Por um lado os meus olhos corriam menos riscos de serem "agredidos", por outro lado, quando tal não acontecesse existia a compensação de presentear alguém com uma generosa belinha.
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Nota: este texto foi patrocinado por "Belinhas" o sonho de um ser politicamente incorreto



segunda-feira, março 31, 2025

a escolha do silêncio


as minhas palavras estão cheias de dores e gargalhadas, doces ou amargas são minhas as palavras
o resultado é quase sempre o mesmo, elas são roubadas ou ignoradas...
existe em mim uma mistura de cansaço e rendição com o resultado da vitória do ladrão ou do narcisista
e depois há o silêncio...
esta mordaça que coloco para não ser ouvida, roubada ou ignorada
as dores e gargalhadas continuam entranhadas no meu silêncio gritante
tantas lágrimas engolidas que às vezes penso ter-me transformado num mar que só eu vejo...
tantas gargalhadas abafadas e imperceptíveis
as palavras teimam em dançar freneticamente na minha cabeça, sejam doces ou amargas
às vezes digo-as...
de nada vale o silêncio
de nada valem as palavras
continuar o caminho é o mantra que repito religiosamente, às vezes triste, outras contente
e nesse meu percurso ouço as palavras de outros, na maioria das vezes vazias, insonsas, e inevitavelmente sorrio de cansaço
outras vezes... poucas vezes, ouço palavras sábias e empáticas, nessas alturas a minha alma sucumbe em lágrimas de alegria
volto a ter esperança, termino o silêncio e saiem-me as palavras
umas doces outras amargas..




quinta-feira, janeiro 09, 2025

Encantamento

Um dia escrevi um texto com o título "Amor, Paixão e Tesão", esqueci-me que antes de tudo isso existe o Encantamento, e nunca escrevi sobre o que penso desse tema, portanto cá vai uma "piquena" dissertação, num registo de raciocínio e de escrita diferente, porque eu também estou uma pessoa diferente.

Encantamento
O encantamento é conseguido quando ficamos maravilhados, deslumbrados ou seduzidos por alguma coisa que nos fascina naquele primeiro "embate".
A mim encanta-me um céu estrelado e absolutamente límpido, uma borboleta que pousa no parapeito da minha varanda, a letra e voz de uma canção, um poema recitado por alguém que o sente, um telefonema de um amigo da adolescência a fazer um convite para jantar juntamente com um grupo muito restrito, a expressão "amo-te" proferida por uma amiga... existem tantas coisas na vida que ainda me conseguem encantar.
No que diz respeito aos relacionamentos homem/mulher (o meu caso), o encantamento está em vias de extinção, ou provavelmente está extinto e eu ainda não assimilei.
Digo isto sem tristeza nenhuma, apenas alguma decepção.
Sem tristeza porque apesar de tudo já me encantei imenso na vida, e por ter vivenciado essa sensação, considero-me sortuda.
Com decepção porque como qualquer pessoa com 2 dedos de testa não desdenho uma coisa tão saborosa, que eu conheço tão bem a sensação (por memória), mas acontece que a prática de encantar é incompreensivelmente descartada.
Encantamento... encantadamente desencantada
A banalização da forma de estar do ser humano tirou-me a tes... upsss vou fazer um exercício de contenção nas palavras que escrevo
A banalização da forma de estar do ser humano tirou-me a excitação, acho que fica melhor assim.
Correndo o risco de parecer jurássica, (coisa que me estou absolutamente a cag...aiiii é difícil conter a linguagem... coisa que me estou absolutamente nas tintas), na minha opinião a prática da tentativa de acasalamento (sério, colorido ou seja lá o que for) tornou-se absolutamente desinteressante, entediante e frustrante (só para rimar).
O elogio fácil e sem conteúdo é algo que me deixa a bocejar.
Sou só eu que acho óbvio que quando duas pessoas começam a falar (com segundas ou terceiras intenções), é porque numa primeira fase sentiram alguma atração pela outra, refiro-me à atração física.
Então se assim é, porque raio são proferidas frases do tipo "és muito gira" ou então os mais atrevidos "és muito sexy"... é que não acrescenta nada, pelo contrário torna o que era suposto ser um elogio num cliché irritante, com fortes possibilidades de me provocar bocejos ou náuseas
Esse elogio faz sentido (para mim) quando já existe intimidade, e muitas vezes é fantástico durante a intimidade.
Sou só eu que acho óbvio que quando duas pessoas começam a falar (com segundas ou terceiras intenções) é para se conhecerem e perceberem se têm interesses comuns, ou simplesmente se são interessantes?
Partindo do princípio que sou uma mulher independente e não estou à procura de alguém para me sustentar, nem quero, pois isso seria abrir mão de tudo o que conquistei com enorme esforço mas muito orgulho, porque raio eu quero saber (ouvir) uma descrição do património financeiro da pessoa?
Sou só eu que fico com náuseas cada vez que recebo flores virtuais? Eu percebo, são grátis e infinitas...mas o único efeito que surtem em mim é de náuseas, ao contrário das flores naturais que andam esquecidas, como se houvesse uma preocupação em adquirir por estarem em vias de extinção...mas não estão, eu sei porque as compro para mim.
Sou só eu que acho absolutamente irritante um convite para jantar, almoçar ou lanchar (com segundas ou terceiras intenções) acompanhado com a frase "escolhe o sítio", mas já nem se sabe fazer um convite? Dá assim tanto trabalho escolher um sítio?
Se tudo se tornou tão banal e desprovido de esforço, mais vale ficar quieta.
Os elogios que me fazem feliz, já tenho felizmente, dos meus amigos e família.
Património para me ocupar o pensamento é aquele que tento construir todos os dias com o meu trabalho.
Não deixei de ter flores em casa, porque felizmente o meu QI permite-me saber onde as comprar
Sozinha ou na companhia de amigos (sem segundas ou terceiras intenções) continuo a viajar, passear e a jantar, almoçar ou lanchar em sítios giros.
Continuarei a acreditar na existência de originalidade, e capacidade de me encantar, ainda que talvez num local longínquo de mim no tempo e no espaço.
Concluindo, considero-me encantadamente desencantada no que diz respeito a esta temática, mas feliz porque consigo encantar-me com tantas outras coisas, e às vezes até comigo, o que é uma agradável novidade para mim.



quinta-feira, novembro 28, 2024

sou pouco

esta mania de achar sempre que ainda sou pouco

tenho que ser melhor
tenho que ter mais
uma busca constante e estonteante por um aperfeiçoamento que nunca me chega
e por me achar sempre tão pouco, nunca estou pronta para o tal amor
que estupidez, digo e repito na minha cabeça
mas eu sou tão pouco...
olho em volta e vejo o pouco que as pessoas são
olho em volta e sinto o pouco que as pessoas dão
e percebo que tudo é pouco
e sei que eu quero muito
as palavras rebolam na minha cabeça e eu fico louca
talvez eu seja pouco
talvez...
sinto que sou verbo, substantivo e adjetivo
às vezes... muitas vezes metáfora
e louca, sim também sou louca
um livro com muitas páginas escritas
um livro inacabado
pouco…
sou pouco



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segunda-feira, novembro 18, 2024

vamos fingir por umas horas

 

vamos fingir que vivemos uma história de amor... só por umas horas
quando me tocares olha-me nos olhos e diz-me que sou tua
sussurra ao meu ouvido que me amas
finge...
deixa-me fingir que te amo também
por umas horas... só por umas horas sê o meu amor
vou tocar-te suavemente e dizer-te que sou tua
amo-te tanto
e é tudo mentira, eu sei
só que eu tenho saudades de amar
e acho que preciso de me sentir amada
mesmo sabendo que é a fingir
não há quem finja orgasmos?
eu só quero fingir amor
pode ser que um dia volte a sentir
não sei...
mas por umas horas... só por umas horas vamos fingir que vivemos uma história de amor



sábado, outubro 26, 2024

perguntas porquê que eu já não estou...

 

solto uma gargalhada
fui embora há tanto tempo e só agora reparaste?
dizes que não te disse adeus
solto uma gargalhada
já não te lembras...
disse-te tantas vezes olá
olhei para ti e por ti
sorri para ti
esperei-te
.
.
.
de ti recebi
silêncio
apatia
ausência
as flores que tenho...
as flores fui sempre eu que as comprei
gosto tanto de flores, e tu devias saber
o prazer que tive
foi porque eu me toquei
dancei sozinha
continuei a caminhar... sozinha
gosto de...
por acaso sabes do que gosto?
acho que não
solto uma gargalhada
e aliviada digo
já não interessa...
porque me fui embora