as minhas palavras estão cheias de dores e gargalhadas, doces ou amargas são minhas as palavras
existe em mim uma mistura de cansaço e rendição com o resultado da vitória do ladrão ou do narcisista
e depois há o silêncio...
esta mordaça que coloco para não ser ouvida, roubada ou ignorada
as dores e gargalhadas continuam entranhadas no meu silêncio gritante
tantas lágrimas engolidas que às vezes penso ter-me transformado num mar que só eu vejo...
tantas gargalhadas abafadas e imperceptíveis
as palavras teimam em dançar freneticamente na minha cabeça, sejam doces ou amargas
às vezes digo-as...
de nada vale o silêncio
de nada valem as palavras
continuar o caminho é o mantra que repito religiosamente, às vezes triste, outras contente
e nesse meu percurso ouço as palavras de outros, na maioria das vezes vazias, insonsas, e inevitavelmente sorrio de cansaço
outras vezes... poucas vezes, ouço palavras sábias e empáticas, nessas alturas a minha alma sucumbe em lágrimas de alegria
volto a ter esperança, termino o silêncio e saiem-me as palavras